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MEB

O MEB
 
- Movimento de Educação de Base, a organização comunitária e a preservação
ambiental
Delma Pessanha Neves*

Resumo:
 Por volta da década de 1960, representantes locais da Igreja Católica nos municípios do entorno de Tefé, Amazonas, Brasil, que conformavam uma Prelazia, investiram na organização política da população que habitava às margens dos rios da bacia do Médio Solimões. Para tanto, constituíram politicamente tais habitantes em ribeirinhos (comunitários), condenando um suposto modo anterior de vida categorizado como isolado. Tentando integrar a todos pelo mesmo modelo, os agentes eclesiásticos também instituíram a diversidade das formas associativistas ou comunitárias de resolução de problemas públicos. Neste artigo, considerando os modos de constituição do campo religioso e da catequese junto aos habitantes do município anteriormente citado, analiso as formas de deslocamento na constituição do devoto, para esses efeitos categorizado como agente associativo e comunitário.
     A construção da Amazônia como região se constituiu, através dos séculos, em objeto de intermináveis especulações, quase todas orientadas pela adoção de formas de apropriação de recursos, cuja grandeza está associada, muitas vezes, à infinitude. De modos diversos, sob associações e parcerias provisórias e complementaridades nem sempre longamente reproduzidas, instituíram-se os interesses pela apropriação territorial e pela exploração extrativista, segundo objetivos mercantilistas. Estas ações se reproduziram sob os marcos da autoridade estatal, mas também pela expansão de um saber acadêmico e prático, justificados pelo ideário missionário e religioso. Assim agentes estatais se compuseram e também se contrapuseram.     Como todos eles operaram e operam na consolidação do processo de colonização, cada um deles imprimiu marcas e formas de exploração próprias. A diversidade de condições de consolidação de hegemonia imprime à população modos diferenciados de participação e de se constituir socialmente, embora haja unanimidade na avaliação de que os amazonenses ainda se encontram sob o regime colonial, orientado por interesses externos à nação brasileira.
As primeiras incursões sobre o território hoje identificado como Médio Solimões estiveram a cargo de contextuais empreendedores, reconhecidos como aventureiros, a serviço
* Antropóloga, professora do Programa de Pós-graduação em Antropologia, pesquisadora do CNPq.
Rua Gavião Peixoto 399 apartamento 1401, Icaraí, Niterói, 24230-093, estado do Rio de Janeiro, Brasil Email:
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dos interesses das Coroas Espanhola ou Portuguesa.1 Pelas informações que circularam, tais aventureiros colaboraram assim na construção das formas primevas de extrativismo ou na definição das condições de apropriação do território. O extrativismo se fixou como modelo de exploração econômica e subordinação impiedosa e violenta da força de trabalho, descartável tal qual a mercadoria embarcada para outras plagas.
O modelo mais acabado do extrativismo se constituiu em torno do sistema seringal, forma violenta de imobilização da força de trabalho, gravitada em torno do princípio de troca do aviamento, base institucional da consolidação do capitalismo mercantil.2 A amplitude desta forma de exploração secundarizou outros modos de apropriação dos recursos naturais; e outros segmentos de trabalhadores autônomos, porque não se encontravam diretamente subjugados ao sistema seringal.3
No quadro dessas relações, os patrões e os regatões, ora se complementando ora se contrapondo, articulavam um universo social cujos contornos eles mesmos contribuíam de forma  vigorosa para delimitar. Para os seringueiros, através do sistema de barracão, os patrões asseguravam a reprodução imobilizada. Para os demais segmentos de produtores espalhados pelas margens dos rios, os regatões constituíam as redes de interligação com o mundo circundante e asseguravam o suprimento de sal, açúcar e outros produtos básicos ao complemento da produção de subsistência. Por esta razão, estimularam e apoiaram a atividade pesqueira e o beneficiamento de peixes, mercadoria erigida em mediação fundamental a este sistema de produção e dominação.
O desenvolvimento da economia da borracha, sustentada inclusive pela incorporação de embarcações a vapor, facilitou a circulação de mercadorias e consolidou a existência, mesmo que rarefeita, de um campesinato autônomo e de apropriação marginal dos fatores de produção no que tange à vinculação mercantil.
Ultrapassado o ciclo da exploração das seringueiras como atividade fundamental, a presença dos regatões diminuíra. Esta presença mais rarefeita, em grande parte, estimulara a descida (termo de uso local para se referir ao movimento no sentido da foz do rio) da população em busca da    proximidade
1 Este é o caso de Diogo Nunes de Quesada que, compondo expedição com espanhóis, visitara a região em 1538.
Logo após, Frei Gaspar de Carvajal, pertencente à Ordem dos Dominicanos, descreveu uma viagem pela região, no
ano de 1542, registrando a presença de inúmeras aldeias de nações indígenas. Relatos do mesmo teor, ora exaltando
a numerosa presença de grupos indígenas, a hospitalidade com que os visitantes foram recebidos ou a morte de
muitos dos nativos em batalha pela defesa do território, foram apresentados por Francisco Vásquez, em 1560 (cf
Ribeiro, 1996).
2 Minha interpretação é convergente com a de Souza (2001), no que tange aos pressupostos básicos da associação
entre colonização e capitalismo mercantil.
3 Para as análises aqui apresentadas, além da valorização da referência da memória coletiva dos entrevistados, pude
me beneficiar das contribuições analíticas apresentadas por MacGrath, 1999:57-72 e Souza, 2001.
de centros comerciais. Na alquimia da representação polarizada dos tipos sociais, os seringueiros, cantados e decantados pela bravura, pelo sofrimento, pela solidão, foram sendo repostos pelos ribeirinhos. Estes, agregados em torno de grupos domésticos, dedicados à agricultura sazonal, à pesca, à coleta de frutos, à caça e à derrubada da floresta, atendiam agora aos interesses dos madeireiros, além de suprirem os regatões especializados no comércio de peixes secos.4
A referência dos entrevistados quanto a este contexto, acentua o movimento de descida dos rios, também animados por notícias alvissareiras que apontavam para investimentos estatais concentrados em núcleos de desenvolvimento. O norte era a constituição do parque industrial de Manaus, então a referência principal. E assim, torna-se reconhecida a história social dos ribeirinhos, desde que compreendida como categoria que, por esta perspectiva, abarcaria amplo segmento de ex-seringueiros (e seus descendentes).5 Nesse contexto, migraram das colocações (unidades individuais de extração integradas ao sistema produtivo do seringal), tanto para atividades de subsistência e mercantis, sob a condição de produtores agrícolas nas beiras ou nos beiradões (margendosrios), quanto para a residência na periferia das cidades, sob a condiçãode assalariados.6
Do ponto de vista desse reconhecido agente constituído sob a perspectiva da mobilidade, o espaço de referência do universo de significações incorpora o Alto e principalmente o Médio Solimões, num deslocamento naturalizado pela recorrência e espontaneidade do uso dos termos subir o rio e descer o rio; pela referência ao estar viajando; e pelo reconhecimento da abertura
do universo social e simbólico alcançada fundamentalmente pelo trabalho junto aos regatões ou às equipes de recreios, tanto para homens, como para mulheres jovens, isto é, de idade entre 18 e30 anos.7 Este engajamento qualifica então um «novo» e diferenciado ser social, capaz deelaborar desnaturalizações pela contraposição a modos de vida semelhantes e diversos. E, por tal distinção social, embora constituídos na posição através das funções de carregadores, cozinheiros ou serviçais em barcos recreios ou comerciais dos regatões, lançam-se eles próprios ao trabalho de mediador cultural para abertura de universos dos demais ribeirinhos.
4 Esta interpretação leva em consideração a memória coletiva dos entrevistados.
5 Os agricultores de várzea do Médio Solimões são reconhecidos por designação mais difundida como ribeirinhos.
6 O registro dessas representações pode ser melhor compreendido pela leitura do livro A Irmã Adonai e a luta social
dos ribeirinhos, por mim organizado para colaborar na institucionalização deste processo de produção de memória
coletiva. Versão mais ampla está sendo por mim preparada, sob o título A luta social dos ribeirinhos. Ambos os
textos se compõem de trechos de entrevistas realizadas durante o trabalho de campo desta pesquisa.
7 Estou referenciada pelas advertências metodológicas de Bourdieu (1989) para desconstrução/construção do termo
região.

Tanto a memória coletiva dos entrevistados como a perspectiva hegemônica da literatura exaltam o intenso e paralelo processo de migração interna, da população mobilizada no nordeste, e daquela desde há muito fixada na região.8  O destaque ao intenso processo de liberação de mão de-obra põe em relevo uma dispersão sem outra orientação econômica catalizadora. Esta lógica explicativa, ao se ancorar na interpretação dos processos econômicos dissociados por ciclos, valoriza as formas de participação da população frente à sucessão de cultivos ou de extração, secundarizando a diversidade de vínculos econômicos. Assim, o registro da ruptura da relativa autarcização dos seringais, da libertação também relativa do aviamento9 e da busca de referências externas pelos ex-seringueiros, destaca o declínio da população e sua dispersão, até que ela reapareça vinculada ao cultivo da juta, também desenvolvida por iniciativa governamental, mas mediada por regatões.10
As cidades de Tefé e Coari, principais na região do Médio Solimões, vão então se consolidando como centros centrípetos e centrífugos de comercialização e de intermediação de circuitos mercantis, com destaque para o comércio de produtos alimentícios, vestuário e armarinho. E também como sedes de centralização de instituições de prestação de serviços, causa e efeito do direcionamento dos fluxos migratórios no sentido centrífugo. Com exceção das unidades produtivas de beneficiamento da madeira e de minerais não-metálicos, pode-se afirmar a inexistência de processos de constituição de indústrias até a década de 70 do século findo. É o setor de comércio que assegura a integração econômica da população. A expansão e a diversificação do consumo constroem diferenciados circuitos de vendas de mercadoriasdeslocadas de outros centros de produção.11
8 A análise dos dados censitários construídos para computação dos habitantes do estado do Amazonas,
relativamente aos da região Norte, revela a restrição da eficácia da extração da borracha na mobilização e
crescimento do contingente de força de trabalho direta ou indiretamente potencializada. Entre 1872 e 1920, a
população no estado do Amazonas se elevou de 57.610 para 514.099, enquanto que a da região norte como um todo
se deslocava de 332.847 para 1.844.655 habitantes (Evolução da população do estado do Amazonas e da Região
Norte: Censos 1872 a 1950, Anuários Estatísticos, IBGE). O crescimento da população entre 1872 e 1890 está
articulado ao processo de migração de nordestinos para região Norte, assolados por secas das mais intensas
ocorridas em 1877 e 1888 e décadas subseqüentes. Entre 1872 e 1920, a população na região se expande em
332,0%. Entre 1920 e 1940, ela ficou estagnada, acompanhando o declínio da extração da borracha. A partir de
1940, diante dos acordos de Washington e os conseqüentes investimentos públicos e privados, o fluxo migratório
para a região norte foi reiniciado. Os censos de 1950 e 1960 registraram oscilação de população entre 1.844.665 e
2.601.519 habitantes, portanto, incrementos de 29% e 77% sobre a base demográfica de 1940.
9 Forma intermediada de trocas mercantis de diversas ordens, referenciadas pela reciprocidade negativa e sistema de
dominação pessoal.
10 Agentes intermediários de trocas mercantis referenciadas pela subordinação pessoal, a partir das quais os
produtos agrícolas e extrativos locais alcançam grandes mercados e seus produtores obtêm outras mercadorias
necessárias, geralmente ao consumo improdutivo, e créditos sob a forma usurária.
11 Sobre os desdobramentos dessa modalidade de intervenção produtiva por instâncias estatais, ver Barbosa,
1986:389-400.
Os ribeirinhos são policultores familiares (agricultores, principalmente, mas também, complementarmente, pescadores e extratores de recursos da floresta), que, operando em ambiente de várzea, áreas situadas nas margens de rio, sujeitas a inundações periódicas (de maior ou menor intensidade), gerem disposições específicas. Circunscrevem o aproveitamento  de áreas agricultáveis a cultivos de ciclo curto. No caso em apreço, a utilização agricultável abarca 5 a 6 meses, entre uma e outra alagação. E, por essa relação com os recursos naturais, são portadores de saberes, técnicas, estratégias e alternativas peculiares à convivência com esta forma de sazonalidade. Mas são também atingidos por efeitos deletérios de ações predatórias que provoquem estranhas interdependências ao equilíbrio do ecossistema.
Convivem com alagações sazonais e secas, sob alterações relativas no tempo.12 Todavia, no momento atual, essas alterações são avaliadas pelos entrevistados como produtoras de desorientações quanto à gestão do tempo e da apropriação de recursos naturais, mormente se eles fundamentam atividades orientadas por objetivos mercantis. São poliprodutores que planejam os investimentos produtivos e a gestão do tempo pela regularidade, por esta expectativa proclamada secular. Portanto, os desvios, mesmo que os atribuindo a uma desenfreada, desquilibrada ou predatória apropriação dos recursos naturais, são ainda concebidos como contextuais. Poucos desses entrevistados prenunciam diferenças que induziriam a mudanças estruturais no modo de relacionamento com os recursos naturais; mesmo porque, acreditam e investem num retorno a um equilíbrio optimum, desejado ou proclamado, caso as regras de reprodução mútua (dos homens e do ambiente natural) sejam respeitadas.
Há 30 ou 40 anos atrás, delimitam, essas adaptações eram mais facilmente geridas: ao alagamento inaceitável, ao fenômeno da terra caída, à expansão exacerbada da extensão das praias, à dificuldade de acesso à água durante a seca, os moradores de várzea adotavam o deslocamento da apropriação territorial. Desfilam então com relativa desenvoltura essas mudanças daqui para ali e dali para acolá. Hoje, avaliam, esse deslocamento se torna mais limitado, pela definição mais geral das formas de apropriação do espaço das margens dos rios.
Essas mudanças nas formas de apropriação da terra eles qualificam pelas sentenças: hoje essas terras todas já têm dono; hoje já não existe mais terra devoluta.
Todavia, a configuração de um espaço sócio-econômico, pelo ponto de vista de muitos dos entrevistados, deve-se aos investimentos para implantação e expansão do sistema católico de articulação das populações, princípio a partir do qual a concepção da região se altera pelo  missionário e moldaram os costumes de uma constituinte população mais vinculada à administração da gestão local.
12 No que tange ao município identificado, o ciclo de alagações e vazantes/secas configura dois modelos deorganização da vida social e produtiva. O das cheias, que ocorre entre março e junho/julho; e o da vazante/seca,encapsulamento de outros municípios não considerados pelas categorias do sistema classificatório oficial. A visibilidade deste princípio de integração se expressa pela identidade de afiliação a uma das Prelazias e pelo delineamento de circuitos de troca e de fluxo populacional que denunciam o alegado abandono dessa população à sua própria iniciativa.                           
13A Igreja Católica e o método das desobrigas. A partir do século XVII, os investimentos intermediários colocados em prática por diversas ordens religiosas marcaram o tom do caráter da colonização portuguesa, atrelada às ações mais consistentes no sentido da reconversão de grupos indígenas. Destaca-se então o jesuíta espanhol Cristóbal de Acuña, autorizado por Felipe IV da Espanha a viajar pelo rio
Amazonas em companhia do capitão-mor Pedro Teixeira, para realizar exaustivo levantamento sobre os habitantes e as riquezas a serem exploradas. Para fincar as condições práticas de programa de catequese em que se fundou a colonização, frei Laureano de la Cruz, em 1650, esteve entre os rios Juruá e Tefé. Dessas incursões, a de efeitos mais práticos esteve a cargo do Padre Samuel Fritz, que fundou várias missões ao longo do rio Solimões e a quem se atribui a fundação de Tefé, sob esse mesmo prisma de integração legitimada por ação catequética.
        14Na região de Tefé, à fixação dos interesses da Igreja Católica pela fundação da aldeia pelo jesuíta Samuel Fritz, a serviço da Espanha, entre 1686 e 1688, seguiu-se a evangelização praticada por padres e irmãos carmelitas, entre 1718-1798, ordem sob tutela da Coroa Portuguesa. A seguir, há investimentos de ordens religiosas de vinculação com o governo italiano, mas a ação mais duradoura esteve a cargo dos espiritanos de origem francesa.
 15Em 1885, os padres espiritanos desembarcaram em Belém para iniciar os trabalhos de constituição de um seminário. Em 1897, marcaram a presença em Manaus e em Tefé, onde iniciaram a construção da sede da Congregação do Divino Espírito Santo em Missão, na boca do Tefé, e na área onde se encontra a cidade. Destes pontos de irradiação, expandiram a ação missionária pelas calhas dos rios Solimões, Japurá e Juruá. Construindo escolas para meninos e meninas, ampliaram o número de sacerdotes e irmãos para consolidar o investimento político- entre agosto-setembro e fevereiro, com repiquete (curto período de subida das águas) esperado por volta de  dezembro.
13 A primeira expressão de tais relações intermunicipais exalta a dispersão da população e a migração para áreas ribeirinhas do Solimões, em face da secundarização do processo de extração da seringa. Posteriormente, pela criação da zona franca de Manaus, a saber, pela criação de outros princípios de inserção no mercado de trabalho e expansão da comercialização, alternativas cuja apropriação pressupôs instrumentos diversos de pressão no sentido do acesso ao ensino básico.
14 Cf. Ribeiro, 1996 e Schaeken, 1997.
15 Cf. Schaeken, 1997 e Internet.
De 1948 a 1981, o bispo da Prelazia de Tefé criou Paróquias em Carauari, Alvarães, Foz do Jutaí, Itamarati, Uarini, Caitaú, Maraã e Fonte Boa. Data também deste contexto a abertura da Escola Normal Rural e do Ginásio Espírito Santo, instituições responsáveis pela formação dos quadros da administração municipal.
A importância da Igreja Católica na construção do sistema de poder em que se fundou o processo de colonização também perenizou suas marcas nos mais importantes edifícios até hoje erguidos em Tefé e Missões, onde funcionavam o Seminário São José (1913), o Colégio Santa Tereza ou Escola para Meninas (1919), o Seminário situado nas Missões (1897) e a Escola Agrícola e Industrial de Boca do Tefé, criada em 1898, dotada de diversas oficinas para formação de trabalhadores manuais especializados. À obra dos espiritanos vieram se agregar, em 1925, as representantes das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, voltadas para educação das moças destinadas às tarefas domésticas e aos primeiros atendimentos médicos. Embora a ordem espiritana tenha permanecido a mesma, a partir de 1946 ela fora reproduzida através da presença de padres de origem holandesa, que lá permaneceram até recentemente.
As ações em parceria entre protagonistas da Igreja Católica e do Estado para constituição do sistema de poder econômico e político alcançaram longevidade. Excetuam-se os momentos de pressão de outras associações religiosas e corporativas, por ocasião da proclamação da república, quando, por exemplo, representantes dos interesses da Maçonaria questionaram a transferência de subsídios para institutos educacionais da Igreja. Todavia a aliança de interesses foi reafirmada até que o sistema de ensino foi sendo assumido pelo Estado como prestação de serviço de direito universal. Atualmente, nos dois municípios, os prédios que antes serviam aos educandários religiosos estão alugados ao governo do Estado, cujas secretarias de educação administram cursos de ensino médio.
Os viajantes dos séculos XVI a XIX registraram a presença de vários agrupamentos indígenas fixados nas margens dos rios, mas as ações dos espiritanos e dos redentoristas acentuaram o trabalho de catequese concentrado nas sedes institucionais. Por isso, no registro da memória do processo catequético, há insistente relevo sobre o número de órfãos e órfãs tutelados pelo educandário ou de jovens a serem instruídos segundo padrões europeus.
O principal investimento catequético dos porta-vozes da Igreja Católica em relação à população que fixara residência nas margens dos rios fundamentava-se no modelo das desobrigas, trabalho missionário difundido em viagens anuais através de canoas a remo, quando os agentes eclesiásticos reafirmavam o sistema de crenças e a afiliação dos catequizados, pela participação em rituais de comunhão e batismo.16 As desobrigas representavam atos de mobilização para ampliar as adesões, mas também momentos de escuta e tomada de conhecimento das condições de vida dos que estavam afastados das sedes dos municípios. Por esse contato, mesmo que descontínuo, os agentes eclesiásticos foram consagrados, inclusive por auto-atribuição, especialmente do bispo, enquanto porta-voz das demandas frente a uma presença ativa do Estado junto à população. As reivindicações giravam em torno da assistência médica e da universalização do sistema de ensino fundamental. Através de doações vindas de organizações religiosas internacionais, o bispo da Prelazia de Tefé construiu o Hospital São Miguel, inaugurado em 1968, hoje entregue ao governo estadual. Também antecipou-se à ação do MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, pela instalação da Radio Rural de Tefé, para ministrar aulas radiofônicas.
A reivindicação da presença de serviços advindos do Estado, num contexto de redefinição de seu papel, a partir do golpe militar, permitira que no município de Tefé se instalasse a ACAR, em 1970, tempos depois substituída pela EMATER e, mais adiante, pelo IDAM. Naquele contexto, a ACAR estava definida como instituição parceira no processo de difusão de novos saberes e de adesão a visões de mundo consideradas sob o prisma da abertura de universo.17 Da mesma forma, pela liderança do bispo de Tefé, demandas foram encaminhadas para instalação do campus avançado da Universidade de Juiz de Fora, sob afiliação ao Projeto Rondon, ato celebrado e oficializado em 13 de junho de 1969. Através dos cursos oferecidos por este programa de extensão, a cidade de Tefé passou a contar com um quadro de funcionários capazes de melhorar e ampliar a pauta de serviços, especialmente educacionais.
O MEB – Movimento de Educação de Base e a devoção associativista

A prática educativa difusionista fora consolidada pela ação direta dos agentes educacionais do MEB, instalado no início da década de 1960. O MEB fora definido Como instituição paralela às ações missionárias e ao quadro de agentes catequistas, estimulando a constituição de presidentes e diretorias de clubes comunitários, clube de mães, cooperativas e sindicatos.
16 A desobriga, método pastoral hegemônico até o final da década de 60, era prática comum entre as diversas ordens religiosas presentes na Amazônia. As missões nela objetivadas implicavam um plano de visitas ou agendamento cronológico na ida da comitiva e a realização dos atos rituais na volta. Exprimia assim a descontinuidade do investimento institucional em face da dispersão da população.
17 Sobre a instalação dessas instituições de difusão de tecnologia, baseio-me no texto de dissertação de mestrado de Ramos de Albuquerque, 1984.
A presença de todas essas instituições provocou deslocamentos em termos de hegemonia de projetos de integração da população. Os titulares locais da igreja Católica, em sintonia com novos projetos libertários propostos pela diretoria nacinoal de seu corpo eclesiástico, apresentaram-se então como portadores de um projeto pedagógico emancipatório de libertação da população. E, assim, abraçaram ou construiram a causa dos ribeirinhos e lhe deu visibilidade política. Neste contexto, os ribeirinhos eram exaltados pela carência, mas também pela potencialidade transformadora de sociedade.
Assim, da realização da desobriga (visitas específicas de sacerdotes para ministrar sacramentos) e da valorização da devoção doméstica, o método missionário passou a preconizar a promoção social e evangélica. Ela fundamentava-se no exercício de reflexão que viesse a permitir o reconhecimento das condições de existência do ribeirinho, das causas que assim o constituíram. Desta perspectiva, ele, necessariamente, estava fadado à mudança, inclusive das alternativas das condições de vida.
Em 1972, a Prelazia de Tefé cria as CEB’s e, a partir de uma nova concepção de Igreja Viva, não totalmente dependente da ação de padres e irmãos, consolida a ação missionária sistemática, de eficácia contraposta às descontínuas desobrigas. O trabalho missionário fora então transferido para os agentes pastorais e expandido pelos aglomerados fixados às margens dos rios, desde então reconhecidos como comunidades.
Segundo a memória dos entrevistados, eles acederam ao convite, por vezes insistente, dos representantes do MEB, para que se agregassem e se unissem, de modo a se tornarem beneficiários de recursos de destinação comum, caso em especial da escola. E desde então foi instituído um modo de organização social e política, cuja expressão mais visível gravitava em torno do trabalho gratuito para a construção de escolas, casas comunitárias e campos de futebol.
A adesão dos ribeirinhos, agentes da legitimação do proposto convívio fraterno dos parentes e vizinhos, correspondeu à transferência de um rádio – o cativo –, posto que apenas autorizado a transmitir atos religiosos e aulas para alfabetização de crianças e adultos.
Também por influência dos agentes eclesiásticos, é constituído em Tefé, em 1974, o Projeto Agrovila, destinado a famílias ribeirinhas vitimadas pelas sucessivas enchentes do início desta década. Os agricultores foram então orientados para o desenvolvimento de culturas perenes, criação de animais de pequeno porte. Deslocando-se para terra firme, mantiveram-se  referenciados a um modo de vida organizado pelo ideário do contrato entre os comuns, reificado na idéia de comunidade ou vila comunitária.
Na Prelazia de Tefé foram instituídas as Pastorais, inclusive Rurais, agregação a partir da qual foi coletivamente elaborado o ideário humanitário e cristão que estimulou, de início festivamente, os ribeirinhos em torno da luta pela preservação dos lagos.

Evangelização e preservação ambiental

As formas de organização política dos ribeirinhos frente à luta pela preservação de lagos guardam aproximação com os modelos de agregação oferecidos como referência pela intervenção da Igreja Católica, através de suas instituições paralelas. O trabalho educativo para inculcação do modelo comunitário de construção de identidade, reafirmava as relações consangüíneas e afins do parentesco e a consagração dos laços de vizinhança. Essas relações constituíram substratos às formas de instituição do nós, agora irmanados pela referência ao sistema de crenças cristão. Os ribeirinhos, no caso cristãos praticantes agregados em comunidades (rurais), e agentes mobilizadores afiliados ao MEB são então partes da mesma historia.18 Por esta ação política, as unidades de consolidação do sistema de poder local foram desenhadas por divisão espacial e regional específica: configuradora da presença e da abrangência da Prelazia em municípios.
As condições de construção do problema ambiental (capitaneadas pela ação missionária) decorreram de um contexto político de mudança no processo extrativista e de captura, intensificado diante de novos recursos tecnológicos e, por isso mesmo, realizado em condições que excedem as possibilidades de reprodução dos homens e dos animais. A captura predatóri das aves e dos peixes foi então colocada em questão, tendo em vista o reconhecimento dos interesses dos ribeirinhos, condenados, por tais fatores, à escassez e à fome acumulativas.
O corpo de agentes da Prelazia de Tefé conseguiu, a partir da década de 80, organizar uma atuação sistemática em agrupamentos redimensionados enquanto comunidades de base.
Muitas delas foram atingidas por escolas radiofônicas e alguns desses lugarejos estão integrados através do culto dominical. Sob esta base organizativa, os problemas e denúncias dos ribeirinhos (cristãos) foram transformados em questões políticas encaminhadas para reconhecimento pelos titulares do poder municipal e estadual (local). A questão ecológica, não se apresentando como problemática em si mesma, operou e opera como instrumento de mediação para incorporação de outras vertentes da organização suscitadas pela evangelização.
18 Em conseqüência, a maior parte dos textos que registram as condições de vida dos ribeirinhos é construída no contexto da literatura produzida por agentes do campo religioso. Destacam-se aqueles (textos) que integraram os texto emblema da construção da problemática, a seguir reproduzido, é esclarecedor da interpretação por mim anunciada: «Evangelizar é colocar-se a serviço da vida. ‘Que todos tenham vida e a tenham em abundância’.
A pastoral rural destaca que o relacionamento com a natureza é uma dimensão da existência humana iluminada pelo Evangelho. Preservar o meio ambiente é condição essencial para preservar a própria vida humana»(Regis, 2001: 56).
Os princípios éticos e filosóficos que orientam as ações sociais com vistas à preservação ambiental assim se fundamentam: "O que Deus criou foi bom. Continua bom. Será que sabemos usar os bens da sua criação? A mãe Natureza impõe condições para alimentar e enriquecer seus filhos. Ela nos oferece muitos presentes.
Não devemos ser gananciosos, querendo arrancar de suas mãos seus tesouros. Boas maneiras pedem que pesquisemos primeiro para saber o que fazer.
Deus disse: fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra... E Deus viu que isso era bom: Há muita água na Amazônia. E muitas variedades de água. A água num lago, perto de um grande rio, não é igual em composição à que faz parte de um igarapé de terra firme.
A harmonia ecológica é tão sutil que a diminuição ou a eliminação de árvores frutíferas da várzea provoca uma queda na produção de peixes nos rios e lagos. Os peixes alimentam-se de frutas que caem dos galhos nas épocas de cheias ou das folhas da vegetação ribeirinha.
Um pássaro ou ave não é útil apenas por sua capacidade de cantar e nos alegrar, o que já seria algo importante. Tem uma variedade de funções no ecossistema, e sua perda seria algo lastimável. Uma terra sem pássaro é um lugar amaldiçoado (texto apócrifo, impresso para pedagogicamente referenciar
reuniões de catequistas/agentes comunitários).
Este é o ideário em torno do qual os ribeirinhos católicos organizam o trabalho comunitário para tentar deter a entrada destruidora de pescadores e peixeiros. De início, os efeitos foram tão visíveis que estimularam uma ampla adesão. Todavia, as constantes disputas entre vizinhos, os riscos de conflitos abertos com pescadores, as perseguições políticas – muitas vezes acompanhadas de violência física, em casos mais extremos, de assassinato -, ao lado de uma ação concebida como injusta por parte dos funcionários do IBAMA, têm desestimulado os ribeirinhos na continuidade da preservação dos lagos. E têm também levado à secundarização da atividade de pesca, especialmente aquela em que tempo e recursos sejam mais mobilizados e, por
meios de objetivação dos princípios missionários definidos pelos documentos da CNBB, destinados a orientar a ação pastoral dos agentes do MEB.
conseqüência, maiores riscos de perda por apreensão de instrumentos de trabalho e pagamento de multas.
Por iniciativa de titulares da prefeitura, alguns lagos foram preservados e certos deles selecionados por portarias expedidas pelo IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. No entanto, devido aos conflitos deflagrados em função da contraposição (direta e pessoal) que ribeirinhos devem assumir diante dos pesqueiros ou vizinhos orientados por interesses diversos, na prática nenhum dos lagos alcança o status de preservado ou protegido. São então invadidos constantemente e, na maioria das vezes, pêlos próprios moradores interessados na expansão mercantil da captura de peixes.
O debate em torno da sustentabilidade ambiental também se consubstancia por uma prática de denúncia e encaminhamento de reivindicação de imposições de limites aos riscos de destruições, decorrentes da implantação do núcleo de exploração da Petrobrás no Rio Urucu e Solimões. Estes riscos, pela perspectiva dos agentes que se sentem ameaçados, ampliam-se diante da construção de um poliduto e gasoduto para escoar a produção.19
Em algumas circunstâncias, os representantes da Prelazia de Tefé apoiam a transferência de ações por alguns funcionários do IBAMA, especialmente aquelas delegadas ao (voluntário) agente comunitário erigido à função de preservador de lagos ou peixes, sob o cargo informal de agente ambiental.
A despeito de a questão do controle dos lagos ter emergido há aproximadamente 30 anos, ela, até o ano de 2004, quando finalizei o trabalho de campo, ainda não obteve um reconhecimento que lhe assegure autonomia nas práticas de interferência por modalidade de políticas públicas. A preservação dos lagos continua a contar com investimentos de lideranças vinculadas à igreja, encarregadas da negociação com pesqueiros invasores.
Na medida em que os agentes locais não obtêm apoios institucionais mais amplos, eles se submetem a desautorizações e, não raramente, a riscos de extermínio absoluto por outros tantos que, não os reconhecendo como autoridades dotadas de legitimidade e legalidade para limitar o ir-e-vir e a apropriação de recursos naturais, atribuem-lhes desavenças pessoais, solucionadas segundo certos códigos locais de conduta e honra.
Tais ações estão longe de reproduzir o sistema de parcerias institucionais que subjaz aos movimentos de luta pela sustentabilidade ambiental. Pelo contrário, são incursões que aparecem como modos de imposição de perspectivas e temáticas. Estão muito distanciadas das percepções instituídas pelo convívio com agentes idealizadores da sustentabilidade como valor ético para a economia e certos modos de vida. Essas precárias associações locais não permitem a formulação de modelos de gestão ambiental, não asseguram a diversificação das atividades econômicas e manejo de sistemas extrativistas segundo a preservação de espécies.
19 Alguns ribeirinhos referem-se a problemas de erosão causados pelo aumento da intensidade de banzeiros (movimento das águas em ondas, diante de ventos fortes e deslocamentos por passagem de embarcação de grandecalado ou de rápida velocidade), decorrentes da passagem de aerobarcos e de grandes navios de carregamento de petróleo. Em comunidades localizadas mais próximas aos canais de navegação de grandes barcos, esta erosão vem causando enormes prejuízos pela queda de dezenas de mangueiras, geralmente carregadas de frutos.
     Esta categorização ultrapassa o sentido da localização ou habitat, para dimensionar o caráter sócio-político da constituição e reprodução de um grupo social.20
20 Torna-se necessário reconhecer que o termo ribeirinho qualifica os moradores em margens de rios e lagos sujeitas a inundações. Esta categoria tem sido estudada por diversos autores como Sigaud, et al., 1987: 214-290 e Faria et al., 2002. No entanto, a referência imediata do termo tem levado, sob particularidade generalizante, à associação com os que se encontram na Amazônia, talvez pela pujança da mobilidade do volume das águas, mas também por todas as associações fantasmagóricas que são imputadas à Amazônia.

                                         Considerações finais

Para compreender a posição política e econômica com que são reconhecidos os ribeirinhos, é fundamental entender os investimentos políticos na conformação de padrões de comportamentos e atitudes, de ethos e visões de mundo, mais facilmente perceptíveis em cristalizações institucionais. É mister trazer à tona, por meio da reflexão, os respectivos exercícios de imposição de modos de relacionamento e de adoção de referências comportamentais. É o caso da associação da identidade desses produtores com um território, unidade político-administrativa e cooperativa cujo pertencimento assegura inúmeras formas de legitimidadde às suas ações. Estes produtores se apresentam como agentes sociais numa ou a partir de uma comunidade delimitada. Os significados atribuídos ao termo comunidade tornamse impositivos ao entendimento das relações sociais em que estão integrados. Porém,   a complexidade aumenta porque o termo adquire múltiplos significados. Ora é a mínima unidade territorial ou localidade; ora é unidade político-administrativa porque sede de prestação de serviços públicos e comunais (escola, capela, campo de futebol, motor de luz, casa comunitária, sede da associação de produtores). Dessa perspectiva, é base para formulação de demanda e espaço público legitimado para os investimentos dos serviços municipais. Ora corresponde a um grupo de lealdades primordiais, preferentemente com reconhecimento oficial, pelo registro da fundação da associação em cartório. Equivale então à unidade associativa, base de gestão de ações políticas.
Todos esses fatores não derivam tão somente das intenções de ribeirinhos mobilizados por convivência com delimitações espaciais e temporais singulares. Eles também são caldatários, como demonstrei, da sua inserção em campos de forças sociais em concorrência e/ou complementaridade, diante da construção e apropriação de recursos.
Estes campos de forças sociais são também organizados para constituição de um sistema de produção e extração de excedentes; bem como de um sistema de poder correspondente aos ideários que justifiquem as interferências civilizadoras sobre uma das Amazônias. Estas representações ora acentuam o irretorquível, ora o indomável, ora o infinito, mas, contraditoriamente, também um espaço de intervenção para correção de rotas, sinalizadoras da aproximação de idealizações sobre uma natureza sacralizável; ou sobre uma natureza propícia à realização de sonhos de acumulação de rapina. Todas essas intenções econômicas e políticas, nesse mesmo campo, são produzidas e diferencialmente reproduzidas.
Por isso mesmo, é fundamental entender o campo de concorrências institucionais, cujos agentes estão diferencialmente posicionados. E, nesse sistema de posições, inclusive os ribeirinhos, isto é, aqueles motivados pelo desejo de serem reconhecidos como dotados de atributos positivos. Estes atributos são aí formulados, isto é, por efeitos das relações de força nesse mesmo campo constituídas. Essa apropriação, por efeito dessa dinâmica, assenta-se na denúncia de que estão abandonados pelos poderes públicos, condição para o encaminhamento de reivindicações qeu correspondam aos investimentos asseguradores de direitos sociais. Os ribeirinhos participam assim da concorrência pelo investimento político capitaneado pelos que aí disputam a hegemonia das formas de enquadramento, de adesão e de modelação da categoria social que os reconhece socialmente. Portanto, ribeirinho é categoria mais política que econômica, razão pela qual é alçada à remissão qualificadora de um modo de vida advogado como sui generis.

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